Jongo

27.02.2015

 

O jongo é uma manifestação afro-brasileira de origem bantu, grupo etnolinguístico que engloba a região da África Centro Ocidental, praticada entre os escravos que trabalhavam nas fazendas de café e cana de açúcar localizadas na região sudeste do Brasil.

 

Manifestação ancestral de louvor aos antepassados que consolida tradições e afirmação de identidade, o jongo costuma ser praticado em louvor a algum santo católico ou alguma divindade afro-brasileira. Suas datas mais marcantes são durante as festas juninas e no dia treze de maio, devido à abolição dos escravos. Os terreiros, denominação do local onde é praticado o jongo, geralmente são em comunidades rurais do sudeste brasileiro e em periferias urbanas.

 

Composto de canto, palmas, dança coletiva e percussão de tambores, o jongo está inserido no âmbito das chamadas danças de umbigadas. A manifestação é praticada em forma de roda, onde casais se revezam no meio da roda simulando gestos de umbigada. Cada um de seus elementos tem sua importância na manifestação.

 

Tambu, batuque tambor ou caxambu também são dominações pertinentes ao jongo e servem para denominar a mesma manifestação que assim como pode sofrer alteração no nome também pode ter sua estrutura de dança e toque diferente de uma região para outra, dependendo da comunidade em que é praticado. Porém, mesmo com as variações, existem características próprias referentes à manifestação que englobam esse tipo de expressão popular num mesmo âmbito denominado jongo.

 

No tempo da escravidão o jongo servia como forma de comunicação entre os escravos. Por meio dele eles conseguiram realizar levantes, organizar fugas e até mesmo falar sobre coisas do dia a dia sem que seus senhores e capatazes pudessem entender, pois falavam em linguagem cifrada.

 

O canto no jongo é chamado de ponto e sua importância está ligada à linguagem cifrada, fazendo com que apenas os jongueiros consigam de fato entender o que está sendo dito. Essa característica do jongo e seus elementos enigmáticos e de encantes relacionam-se com práticas africanas, como foi registrado entre os bantos, tonga e n’gola, e representam a palavra dos ancestrais. Outro traço tradicional herdado dos africanos que está presente no jongo é a força através da palavra que proferida com intenção e ritmada pelos tambores movimentam forças ocultas do mundo espiritual. Dizem que os pontos pronunciados pelos jongueiros detinham “mironga” e segredos capazes de fazer crescer bananeiras nos quintais, levando Dias a chamá-los de “feiticeiros da palavra” (DIAS, 2003).

 

Ainda falando sobre os pontos, sabe-se que eles são classificados de acordo com sua função dentro da manifestação. Os pontos podem ser classificados em: abertura ou louvação (usado para abrir a roda do jongo ou na chegada de algum participante), desafio ou demanda (o jongueiro elabora um ponto enigmático que deve ser interpretado e respondido pelo seu adversário), de visaria (ponto que permite a participação de todos, sem que haja preocupação com rivalidades), de encante (onde através da palavra coisas sobrenaturais acontecem), saudação (cantado em homenagem a um jongueiro que está na roda ou ao dono do terreiro), agradecimento e despedida (aqueles cantados ao término da roda de jongo) (CARMO, 2012).

 

Os tambores do jongo também são de extrema importância para a manifestação, pois são eles que dão o andamento e o ritmo do jongo durante as rodas. Além disso, têm um caráter considerado sagrado pelos jongueiros, sendo reverenciados diversas vezes durante a manifestação, seja através dos pontos ou de gestos de saudação.

 

Em 2005, o IPHAN salvaguardou o jongo como patrimônio cultural brasileiro, sendo este registrado no “Livro das Formas de Expressão” com processo número 01450.005763/2004-43, após ter sido objeto de pesquisa para o “Inventário Nacional de Referências Culturais” editado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular.

 

(CATÃO, 2014)

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 tAMBOR DE CUMBA: 

 

Fundado em 2011 pela bailarina e diretora artística Aninha Catão, o Tambor de Cumba é um grupo de estudos que tem como objetivo promover as tradições culturais de matriz africana a fim de conscientizar a respeito da importância da representação da cultura negra como ferramenta de empoderamento e integração social através das artes negras, sobretudo a dança, por meio de oficinas, palestras, rodas, vivências e espetáculos.

 

Nosso objeto de estudo são as artes negras em geral, porém as trabalhadas com mais frequência são o jongo, o coco, o samba de roda, a ciranda, o maculele, a capoeira, o afoxé, o maracatu e a dança afro contemporânea.

 

O principal trabalho desenvolvido, atualmente, pelo grupo consiste em levar para zona portuária do Rio de Janeiro essa gama de danças afro-brasileiras estudadas, por meio de um evento mensal, intitulado Tambor no Valongo, realizado todo terceiro sábado do mês, desde 2013, no Cais do Valongo.

 próximos EVENToS: 

 

21/01/17: Tambor no Valongo no Cais do Valongo a partir das 16hs.

 

18/02/17: Tambor no Valongo no Cais do Valongo a partir das 16hs.

 

18/03/17: Tambor no Valongo no Cais do Valongo a partir das 16hs.

 

15/04/17: Tambor no Valongo no Cais do Valongo a partir das 16hs.

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